Ansiedade. Nervosismo. Vergonha. As vezes até choro. Nada como essa mistura de sentimentos a cada ano letivo que inicia. Pude perceber nos últimos dias como os hábitos são comuns a professores e alunos. Digo isso por experiência própria, pois todos nós passamos por essa cena: de não saber o que nos espera no nosso dramático e esperado primeiro dia de aula. E olha que ela se repete inúmeras vezes, embora todas elas sejam diferentes.
Fui uma mera observadora desta vez. Na última reunião com o diretor pedagógico do colégio onde trabalho, um dia antes de voltar as aulas, pude perceber o quanto professores se tornam alunos por alguns instantes. Sim, depois das férias merecidas é a hora do reencontro com os colegas de trabalho. Aquela confusão de vozes crescia gradativamente junto às risadas e as rodinhas que se formavam naquele espaço. Professores antigos enturmados, logo nota-se quem são os novatos da área: os que beiravam aos cantos. Não é assim que acontece conosco quando entramos num colégio novo ou quando retornamos das férias?
No dia seguinte, ainda como mera observadora, estava com a turminha que acompanhei ano passado como auxiliar (terei o prazer de acompanhá-los novamente) e qualquer semelhança, é mera coincidência. Todos quietinhos e atentos ao esperado dia até que se dá início aquela apresentação formal chata de sempre. Eu, particularmente, odiava e continuo odiando, morro de vergonha. Observo o olhar de cada um quando se apresentam e pela voz baixinha, vejo que sentem o mesmo e automaticamente, me vejo ali – como se eu não tivesse me apresentado formalmente para o resto da equipe de professores há um dia, mais uma vez, vergonha.
Depois as vozes ecoavam baixinhas pela sala e só pelo modo como sentaram, percebo os novos alunos - não estou dizendo que eu não conheça os rostos dos meus pimpolhos, mas quando estão juntinhos é sinal de que já se conhecem, isso é óbvio - e aqueles com o semblante envergonhado, sem graça, que tem boca, mas não fala, são os que a gente deve transmitir sorrisos o tempo inteiro para familiarizá-los e aconchegá-los.
Tudo exatamente igual! Quando entrei na escola pela primeira vez como aluna e para trabalhar. Quando retornava as aulas depois das férias até concluir o meu fundamental. Quando entrei num colégio novo para fazer o meu ensino médio. E a cada período novo que se inicia na faculdade... Nem eu sabia o que esperar e vivia ansiosa também. Vivo e sou!
De espectadora aos palcos ou as carteiras ou as lembranças, principalmente daquelas que marcam mais, como cair de pára-quedas num ambiente novo, os amigos de escola, o rostinho de cada professor gravado em nosso pensamento e nossas primeiras impressões de tudo até chegarmos à faculdade e percebermos que nada mudou. Enfim, professores retornando a seus papéis de alunos e estes, por sua vez, sendo alunos mesmo. Certas emoções só sentimos quando chega o tão esperado primeiro dia de aula. E a gente sobrevive, viu?