Andei
pensando em como tenho dificuldades em fechar ciclos. Colocar um ponto final.
Um remate. Aquele The End na história... Às vezes o final nem foi feliz, pô! É
sério, essa ideia de desapego me soa estranho. Embora seja tão necessário
quanto dormir. E imagino que estejam pensando: "Nossa! Que péssima analogia!",
mas acredite, o desapego nos traz noites maravilhosas de sono. Recuperamos aquelas
horinhas perdidas quando não conseguimos dormir, por revirarmos e revirarmos na
cama com o pensamento bem longe, sabe?
Uma
reticência sempre me caiu bem...
Aquilo que
ficou por dizer...
E que
acabou pairando no ar...
Vírgulas
que me ajudam a respirar em textos, a pensar na construção da próxima frase, a
organizar pensamentos, a dispô-los no papel.
Esforço-me
para que o ponto final seja usado corretamente. Afinal, é só encerrar frases,
não é mesmo? Ainda que pela metade, desde que faça sentido para mim.
É muita
bravura dar um basta e dizer que acabou. E ver que não existe mais nada. E que
aquilo não voltará para a sua vida. E é com isso que você vai lutar todos os
dias. Repetindo mil vezes que é para frente que se anda e que não pode e nem
deve olhar para trás. É você versus você mesma. Lutando contra as suas próprias
vontades, só para sair imune desses caminhos que só andam em círculos e te
deixam tonta. Porque você sabe de cor e salteado para onde que ele vai te
levar. E pensa que vai ser diferente, quando acaba tudo sempre igual. Exceto o
tempo que também engana e finge parar na mesma medida em que dispara, corre, voa
e quando a gente percebe nem se reconhece mais. Saio do papel para a realidade
bem infinitiva, sem nenhuma conjugação. Já fui passado, presente e futuro. Hoje
só quero ser (acompanhada ou não).
Natália de Andrade


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