14 março, 2015

HOJE SÓ QUERO SER



Andei pensando em como tenho dificuldades em fechar ciclos. Colocar um ponto final. Um remate. Aquele The End na história... Às vezes o final nem foi feliz, pô! É sério, essa ideia de desapego me soa estranho. Embora seja tão necessário quanto dormir. E imagino que estejam pensando: "Nossa! Que péssima analogia!", mas acredite, o desapego nos traz noites maravilhosas de sono. Recuperamos aquelas horinhas perdidas quando não conseguimos dormir, por revirarmos e revirarmos na cama com o pensamento bem longe, sabe?

Uma reticência sempre me caiu bem...
Aquilo que ficou por dizer...
E que acabou pairando no ar...
Vírgulas que me ajudam a respirar em textos, a pensar na construção da próxima frase, a organizar pensamentos, a dispô-los no papel.
Esforço-me para que o ponto final seja usado corretamente. Afinal, é só encerrar frases, não é mesmo? Ainda que pela metade, desde que faça sentido para mim.

É muita bravura dar um basta e dizer que acabou. E ver que não existe mais nada. E que aquilo não voltará para a sua vida. E é com isso que você vai lutar todos os dias. Repetindo mil vezes que é para frente que se anda e que não pode e nem deve olhar para trás. É você versus você mesma. Lutando contra as suas próprias vontades, só para sair imune desses caminhos que só andam em círculos e te deixam tonta. Porque você sabe de cor e salteado para onde que ele vai te levar. E pensa que vai ser diferente, quando acaba tudo sempre igual. Exceto o tempo que também engana e finge parar na mesma medida em que dispara, corre, voa e quando a gente percebe nem se reconhece mais. Saio do papel para a realidade bem infinitiva, sem nenhuma conjugação. Já fui passado, presente e futuro. Hoje só quero ser (acompanhada ou não).

Natália de Andrade

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