24 setembro, 2013

Nada mais que amor


Mas amar? Não, amar não!
Talvez seja isto mesmo, amar não.
Talvez um adorar fosse suficiente, talvez um gostar fosse bem visto, mas amar não. Amar não deveria ser esperado.
Porque não esperamos pelo amor, ele simplesmente chega, invade e transborda. Ele não é esperado e nem foi feito para isso. Afinal, amor a gente sente e se maravilha com  tamanha maravilha.
Amar não, amar não requer esforço. Porém um gostar requer muito. Um gostar disso, um gostar daquilo, um gostar querendo não gostar...
Amar não, o que fizer vai se tornar mágico!
Amar não, amar não requer paciência. Porém um adorar requer muito mais, requer também atenção. Porque adorar é isso, encantar-se com o que lhe é mostrado.
Mas amar não, amar vai além disso. Busca a perfeição aceitando as tantas imperfeições, mergulha nos mais diversos detalhes, procura respostas, desvenda mistérios e além de tudo, cuida. Amar é cotidiano e não passageiro.
Porque amar é mesmo assim,é esse conjunto inteiro e requer AMOR, nada mais que isso, nada mais que AMOR!


Natália de Andrade

14 setembro, 2013

Alguma lembrança de nós dois?


Mas veja só, depois de tanto tempo, olha só o que restou. Já não te encontro mais. Não sei dos seus novos gostos. Das suas novas manias. Dos seus novos sonhos. Não sei dos seus novos amigos. Dos seus hobbies. Dos seus dias. Agora eu paro e não vejo absolutamente nada. Não sei de nada. Nossas fotos perderam a cor e não estão amareladas como o tempo costuma deixar. Sei lá, é como se elas tivessem perdido a graça, na verdade. Como se o momento ali registrado não fizesse mais sentido. Ou que nunca tivesse existido. Tão estranho! Tão estranho olhar e não querer fazer nenhum esforço para lembrar. Não querer reviver.
De repente, tudo se perdeu. Tudo se apagou. E se chegou a virar pó, o vento fez questão de levar. Guardei-as na última gaveta para não mais olhar. E mesmo que estivessem expostas, não traria mais nenhuma recordação. Afinal, restou alguma lembrança de nós dois? Não tem mais nada novo. E, nada velho também.

Natália de Andrade

10 setembro, 2013

Seus olhos


Seus olhos demonstram mais do que você imagina. Não é preciso dizer uma palavra sequer, pois respondem por eles mesmos. 
Seus olhos falam de alegria, tristeza, falam de cansaço, do quanto estão apaixonados e nenhuma frase é necessária. 
Seus olhos falam mais de você do que qualquer outra pessoa. Refletem, de fato, o que você é e tudo que já percorreu nessa vida. 
Seus olhos contam a sua história e diz o que você espera do futuro. Transmitem medo, insegurança. Liga o ontem, o hoje e o amanhã. 
Seus olhos sorriem, choram e conversam com outros olhos. Eles entendem qualquer olhar quando cruzam o seu.
Seus olhos falam, gritam, sussurram e no entanto, nem voz tem!

Natália de Andrade

08 setembro, 2013

Quem é você?


O tempo passa e vai distanciando cada vez mais certas coisas. Ela sempre teve muito medo de se encontrar perdida nele. De perdê-lo. De se perderem, enfim. Sempre fez de tudo para que se mantivessem próximos. Procurou se manter presente e a cuidá-lo. Nunca soube como faria isso, mas tentava de alguma forma e sua amizade foi a maior prova disso. Suas preocupações e carinhos eram jeitos que encontrava de dizer o quanto ele era importante – nunca ouviu. Antes não tivesse feito nada. Não tivesse se doado tanto. Falava com as paredes, com o vento, talvez fosse mais útil assim.

Conheceu uma pessoa que não sabia se conhecia, então. E ainda hoje se pergunta: “Afinal, quem é você?”. Não sabe. Nunca soube. Ele nunca mostrou quem realmente era, enquanto ela foi completamente transparente. Tem ideia do que isso significa? Se desarmar perante um desconhecido? Deixou-lhe conhecê-la por inteiro para não conhecer nem a sua metade. Foi sincera em cada palavra que saía de sua boca – mesmo que perdidas – para só ouvir mentiras da dele. Confiava muito mais do que desconfiava, sempre deixou claro. Deu-lhe inúmeras chances de ser quem era, no entanto, não foi. Deu-lhe os dados do jogo, mas ele só trapaceou. Nunca entendeu sua linha de raciocínio e estava atenta para entendê-la. Podia jurar de pés juntos que o conhecia e que seu olhar brilhava. Vai ver, ela era o próprio brilho que refletia daqueles olhos vazios. Vai ver, a luz só era dela naquela profunda escuridão.

Natália de Andrade

06 setembro, 2013

Feliz aniversário


"Mas se for pra falar de algo bom, eu sempre vou lembrar de você..." ♫

29 agosto, 2013

Estrela



Puxa a cortina e abre a janela, menina.
A vida te deu muitos motivos para viver. Aproveita, vai!
Sua vida não é aqui, não é lá, acolá… É onde você estiver. Sua vida é dentro de você.
Não fuja. Não tenha medo. Eu estendo a mão para você sempre que for necessário e não me importo se eu tiver que me esticar toda para tirar-lhe do fundo desse buraco. Não me importo se eu escorregar e cair, sairemos juntas dele, pois estarei ao seu lado. Não corra, cuidado para não tropeçar. E nem fique parada para não ficar para trás, apenas caminhe. Você não precisa ter a certeza do caminho, mas precisa ter a certeza dos seus passos.
Então abre a janela, deixa a luz entrar, o vento chiar e veja as estrelas brilharem. Elas sorriem para você, basta observar. Não me importo de puxar a cortina todos os dias para você ver a vida, porque eu me importo muito mais com você do que com meus esforços. Além do mais, o céu precisa de você. Uma estrela só não é constelação e eu também preciso do seu brilho para poder viver em paz. E olha, sei muito bem quando as estrelas sorriem ou choram, sabe por quê? Convivo com uma! Seu brilho responde por si e nenhuma estrela merece apagar. Então guarda esse segredo e ilumine seus dias. Não vai demorar muito para acontecer o mesmo com a sua vida. Então sorria, bobinha e brilhe!

Natália de Andrade

27 agosto, 2013

Uma condição


Olha, eu deixo você ir, mas com uma condição: de que você vai voltar. Juro que eu deixo! Não grito. Não esperneio. Não faço pirraça e nem cara emburrada. Mas você precisa me prometer. Jura bem juradinho e sem cruzar os dedos  das mãos por trás das costas. Dedos livres, combinado? Assim como você.
Faço até suas malas. Guardo suas camisas, suas bermudas, separo suas cuecas, suas meias. Ordeno tudo por tamanho, cor. Alinho tudo dentro dela. Seus pertences, passatempos, CDs e filmes. Faço seu doce preferido e embrulho para viagem. Mas você só precisa me prometer que vai voltar.
Num dia qualquer do ano. Numa manhã acinzentada de agosto. Ou numa tarde quente de janeiro. Numa noite sem brilho de modo que venha estrelar o meu céu. Venha num mês qualquer, numa hora qualquer, só não deixe de vir. Aqui você sempre será bem-vindo enquanto a espera valer à pena. Apareça num domingo de jogo com a camisa do seu time e me leve para assistir em qualquer lugar. Venha numa segunda-feira preguiçosa e traga alegria para ela. Ou numa sexta-feira que eu esteja me preparando para night e dê de cara com você na minha porta, convidando-me para fazer um programa a dois. Eu troco tudo para ficar do seu lado, ganharia a noite.
Mas você precisa me prometer. Caso contrário, que inútil será a minha espera. Sem lógica e sem motivos. Uma espera vazia e sem fundamento. Apareça mesmo que você tenha trilhões de pessoas te fazendo companhia. Fale comigo mesmo que esteja tendo a conversa mais descontraída. Não fica longe não que isso leva ao esquecimento. E a partir do dia que você me esquecer, serei obrigada a acionar o meu botão de deletar e, apagar pedacinhos de você é o mesmo que produzir buraquinhos em mim.
Então volta aqui, encurta essa distância, se faz presente e fique por perto. Volta aqui, enquanto dá tempo. Porque se um dia eu cansar de esperar, dou as costas para você. Olha, te dou uma das alternativas: vai ou fica. Mas eu abro uma exceção e te deixo voltar.

Natália de Andrade