27 agosto, 2013

Uma condição


Olha, eu deixo você ir, mas com uma condição: de que você vai voltar. Juro que eu deixo! Não grito. Não esperneio. Não faço pirraça e nem cara emburrada. Mas você precisa me prometer. Jura bem juradinho e sem cruzar os dedos  das mãos por trás das costas. Dedos livres, combinado? Assim como você.
Faço até suas malas. Guardo suas camisas, suas bermudas, separo suas cuecas, suas meias. Ordeno tudo por tamanho, cor. Alinho tudo dentro dela. Seus pertences, passatempos, CDs e filmes. Faço seu doce preferido e embrulho para viagem. Mas você só precisa me prometer que vai voltar.
Num dia qualquer do ano. Numa manhã acinzentada de agosto. Ou numa tarde quente de janeiro. Numa noite sem brilho de modo que venha estrelar o meu céu. Venha num mês qualquer, numa hora qualquer, só não deixe de vir. Aqui você sempre será bem-vindo enquanto a espera valer à pena. Apareça num domingo de jogo com a camisa do seu time e me leve para assistir em qualquer lugar. Venha numa segunda-feira preguiçosa e traga alegria para ela. Ou numa sexta-feira que eu esteja me preparando para night e dê de cara com você na minha porta, convidando-me para fazer um programa a dois. Eu troco tudo para ficar do seu lado, ganharia a noite.
Mas você precisa me prometer. Caso contrário, que inútil será a minha espera. Sem lógica e sem motivos. Uma espera vazia e sem fundamento. Apareça mesmo que você tenha trilhões de pessoas te fazendo companhia. Fale comigo mesmo que esteja tendo a conversa mais descontraída. Não fica longe não que isso leva ao esquecimento. E a partir do dia que você me esquecer, serei obrigada a acionar o meu botão de deletar e, apagar pedacinhos de você é o mesmo que produzir buraquinhos em mim.
Então volta aqui, encurta essa distância, se faz presente e fique por perto. Volta aqui, enquanto dá tempo. Porque se um dia eu cansar de esperar, dou as costas para você. Olha, te dou uma das alternativas: vai ou fica. Mas eu abro uma exceção e te deixo voltar.

Natália de Andrade

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