Todas
as manhãs, Luiz é acordado do jeito mais carinhoso e inocente que existe - ou
não tão inocente assim. Ao escutar o rangido vagaroso da porta ele está ciente
de que será empurrado com o focinho e coberto por lambidas que o faça
despertar. A hora certa é decretada por Suzy - sua cadela de estimação - quando
percebe que já amanheceu e está próximo do seu passeio diário. Luiz sabe que
ela não sossega até que ele esteja de pé. Então, logo trata de levantar da cama
e aconchegar-se ao sofá, tomando posse daqueles "cinco minutinhos"
que é direito de todos. Suzy, por sua vez, segue atrás e deita aos seus pés,
marcando território para não correr o risco de - por algum imprevisto - ser
esquecida.
Depois de mais alguns carinhos e
de algumas latidas chamando sua atenção, ele já está de pé para começar seus
afazeres e a preparar-se para mais um dia de trabalho. E nesse momento, fico
confusa por não saber se a expectativa maior é nesse tempo de espera ou quando
a coleira é avistada - de longe, de perto - em mãos. Dizem que essas
preliminares são as piores. E não é que estão certos? O passeio, em si, não é
um exercício TÃO difícil assim. Agora vai tentar a sorte de por a coleira de um
modo sútil. É, boa sorte mesmo!
Como se não bastasse essa euforia
toda para sair, ela ainda trava perto da escada e só desce se for no colo. Quem
vê assim até pensa: "Nossa, nunca vi tão firme." Bom, é mais ou menos
por aí mesmo. Nem se quer saiu de casa e já está dando trabalho, quem dirá na
rua. Porém, uma surpresa: a etapa mais trabalhosa passou. Não é preciso ser um
atleta, super homem ou a mulher maravilha para encarar essa pecinha. Basta
apenas ter um pouco de força, controle e paciência. Sem isso, ou você cai,
solta a coleira ou vai se estressar. Porque ela age que nem criança pequena,
quer correr destrambelhada pela rua afora e matar a curiosidade em cada passo
dado.
E lá vão eles, perfeitos um para o outro. Já distantes, mas como se estivesse bem pertinho. Ainda ouço a alegria disfarçada em latidos. E quando chega, vem correndo com a língua de fora, bebe água e descansa, feito um anjo. E todos os dias o episódio repete-se. Assim, Luiz começa seu dia e eu também. Como se fosse sempre a primeira vez, mas nunca é!
E lá vão eles, perfeitos um para o outro. Já distantes, mas como se estivesse bem pertinho. Ainda ouço a alegria disfarçada em latidos. E quando chega, vem correndo com a língua de fora, bebe água e descansa, feito um anjo. E todos os dias o episódio repete-se. Assim, Luiz começa seu dia e eu também. Como se fosse sempre a primeira vez, mas nunca é!
- Natália Andrade


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