08 julho, 2013

Surpreendentemente Humano


   Todas as manhãs, Luiz é acordado do jeito mais carinhoso e inocente que existe - ou não tão inocente assim. Ao escutar o rangido vagaroso da porta ele está ciente de que será empurrado com o focinho e coberto por lambidas que o faça despertar. A hora certa é decretada por Suzy - sua cadela de estimação - quando percebe que já amanheceu e está próximo do seu passeio diário. Luiz sabe que ela não sossega até que ele esteja de pé. Então, logo trata de levantar da cama e aconchegar-se ao sofá, tomando posse daqueles "cinco minutinhos" que é direito de todos. Suzy, por sua vez, segue atrás e deita aos seus pés, marcando território para não correr o risco de - por algum imprevisto - ser esquecida.
   Depois de mais alguns carinhos e de algumas latidas chamando sua atenção, ele já está de pé para começar seus afazeres e a preparar-se para mais um dia de trabalho. E nesse momento, fico confusa por não saber se a expectativa maior é nesse tempo de espera ou quando a coleira é avistada - de longe, de perto - em mãos. Dizem que essas preliminares são as piores. E não é que estão certos? O passeio, em si, não é um exercício TÃO difícil assim. Agora vai tentar a sorte de por a coleira de um modo sútil. É, boa sorte mesmo!
   Como se não bastasse essa euforia toda para sair, ela ainda trava perto da escada e só desce se for no colo. Quem vê assim até pensa: "Nossa, nunca vi tão firme." Bom, é mais ou menos por aí mesmo. Nem se quer saiu de casa e já está dando trabalho, quem dirá na rua. Porém, uma surpresa: a etapa mais trabalhosa passou. Não é preciso ser um atleta, super homem ou a mulher maravilha para encarar essa pecinha. Basta apenas ter um pouco de força, controle e paciência. Sem isso, ou você cai, solta a coleira ou vai se estressar. Porque ela age que nem criança pequena, quer correr destrambelhada pela rua afora e matar a curiosidade em cada passo dado. 
  E lá vão eles, perfeitos um para o outro. Já distantes, mas como se estivesse bem pertinho. Ainda ouço a alegria disfarçada em latidos. E quando chega, vem correndo com a língua de fora, bebe água e descansa, feito um anjo. E todos os dias o episódio repete-se. Assim, Luiz começa seu dia e eu também. Como se fosse sempre a primeira vez, mas nunca é!

- Natália Andrade

0 comentários:

Postar um comentário