Depois de muito discordar, finalmente entendi o sentido de uma frase. E mais, constatei que o meu escritor preferido tem razão em suas palavras: "Antes a inquietação de um amor, do que a paz de um coração vazio." Caio Fernando de Abreu está completamente certo disso e eu ainda hesitei. Sempre me questionei dos motivos que alguém teria para preferir se agarrar a uma ilusão, a uma incerteza, de ter que controlar seu coração quando fica a mil ao deparar-se com a imagem de certo alguém. O amor é lindo, sim. Mas quando ele é amor, de fato. A gente nunca sabe quando se tornou desamor e transformamos em beleza a dor. Até o sofrimento é saboroso nessas horas. Até as lágrimas adocicam nossos lábios.
Sempre achei absurda essa judiação com os corações tão inocentes, até que nunca mais produzi um texto sequer. Até que me vi vazia. Livre. Solta. Eu poderia voar por não me sentir mais presa. Ouvir teu nome e não precisar engolir seco. Poderia até te encontrar na rua que te cumprimentaria como um conhecido qualquer, porque foi isso que você se tornou, né? Só mais um conhecido...
Então, percebi o quão nossas quedas nos levantam e nos sustentam os pés. O quão importante os desamores são para fortificar as estruturas dos nossos corações. E o quão as batidas dele nos tornam vivos. Que mais vale ter o coração saindo pela boca do que ele parado e sem entusiasmo. Tanta gente lutando para reanimá-lo e eu reclamando dele ficar acelerado.
Natália de Andrade




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