19 maio, 2014

Inquietação de um amor


Depois de muito discordar, finalmente entendi o sentido de uma frase. E mais, constatei que o meu escritor preferido tem razão em suas palavras: "Antes a inquietação de um amor, do que a paz de um coração vazio." Caio Fernando de Abreu está completamente certo disso e eu ainda hesitei.  Sempre me questionei dos motivos que alguém teria para preferir se agarrar a uma ilusão, a uma incerteza, de ter que controlar seu coração quando fica a mil ao deparar-se com a imagem de certo alguém. O amor é lindo, sim. Mas quando ele é amor, de fato. A gente nunca sabe quando se tornou desamor e transformamos em beleza a dor. Até o sofrimento é saboroso nessas horas. Até as lágrimas adocicam nossos lábios. 
Sempre achei absurda essa judiação com os corações tão inocentes, até que nunca mais produzi um texto sequer. Até que me vi vazia. Livre. Solta. Eu poderia voar por não me sentir mais presa. Ouvir teu nome e não precisar engolir seco. Poderia até te encontrar na rua que te cumprimentaria como um conhecido qualquer, porque foi isso que você se tornou, né? Só mais um conhecido...
Então, percebi o quão nossas quedas nos levantam e nos sustentam os pés. O quão importante os desamores são para fortificar as estruturas dos nossos corações. E o quão as batidas dele nos tornam vivos. Que mais vale ter o coração saindo pela boca do que ele parado e sem entusiasmo. Tanta gente lutando para reanimá-lo e eu reclamando dele ficar acelerado.


Natália de Andrade

11 maio, 2014

Bem de longe


 Percebi que consigo ser feliz sem você e não é esforço algum. É natural, sem precisar forçar nada como muita gente faz. Assim como você, que já provou o quanto eu faço bem, bem longe. Mas foram aqueles muitos momentos de "cão e gato" que me mostrou tudo o que eu já quis sentir por alguém. Que somos bons juntos e podemos ser felizes também!

Natália de Andrade

03 maio, 2014

Cardíaca


Sou cardíaca sim, sofro do coração. E a maior prova disso é de que não tenho nenhum controle sobre ele quando começa a saltitar loucamente com a sua presença e sem a minha permissão. Nem me arrisco a dizer quantos batimentos por minutos consigo registrar, perdi as contas ao avistar você, o motivo dessas acelerações desgovernadas que faltam trazer a boca, o coração. Só por pensar em você, ouvir seu nome, achar alguém com a feição parecida com a sua na rua ou apenas te encontrar em meus sonhos, já que existe um muro de Berlim invisível que nos separam. Você. Só você. Como é que pode? Ter esse poder todo que me foge das mãos? Onde é que encontra a razão, se o coração já se perdeu?

 Natália de Andrade

24 setembro, 2013

Nada mais que amor


Mas amar? Não, amar não!
Talvez seja isto mesmo, amar não.
Talvez um adorar fosse suficiente, talvez um gostar fosse bem visto, mas amar não. Amar não deveria ser esperado.
Porque não esperamos pelo amor, ele simplesmente chega, invade e transborda. Ele não é esperado e nem foi feito para isso. Afinal, amor a gente sente e se maravilha com  tamanha maravilha.
Amar não, amar não requer esforço. Porém um gostar requer muito. Um gostar disso, um gostar daquilo, um gostar querendo não gostar...
Amar não, o que fizer vai se tornar mágico!
Amar não, amar não requer paciência. Porém um adorar requer muito mais, requer também atenção. Porque adorar é isso, encantar-se com o que lhe é mostrado.
Mas amar não, amar vai além disso. Busca a perfeição aceitando as tantas imperfeições, mergulha nos mais diversos detalhes, procura respostas, desvenda mistérios e além de tudo, cuida. Amar é cotidiano e não passageiro.
Porque amar é mesmo assim,é esse conjunto inteiro e requer AMOR, nada mais que isso, nada mais que AMOR!


Natália de Andrade

14 setembro, 2013

Alguma lembrança de nós dois?


Mas veja só, depois de tanto tempo, olha só o que restou. Já não te encontro mais. Não sei dos seus novos gostos. Das suas novas manias. Dos seus novos sonhos. Não sei dos seus novos amigos. Dos seus hobbies. Dos seus dias. Agora eu paro e não vejo absolutamente nada. Não sei de nada. Nossas fotos perderam a cor e não estão amareladas como o tempo costuma deixar. Sei lá, é como se elas tivessem perdido a graça, na verdade. Como se o momento ali registrado não fizesse mais sentido. Ou que nunca tivesse existido. Tão estranho! Tão estranho olhar e não querer fazer nenhum esforço para lembrar. Não querer reviver.
De repente, tudo se perdeu. Tudo se apagou. E se chegou a virar pó, o vento fez questão de levar. Guardei-as na última gaveta para não mais olhar. E mesmo que estivessem expostas, não traria mais nenhuma recordação. Afinal, restou alguma lembrança de nós dois? Não tem mais nada novo. E, nada velho também.

Natália de Andrade

10 setembro, 2013

Seus olhos


Seus olhos demonstram mais do que você imagina. Não é preciso dizer uma palavra sequer, pois respondem por eles mesmos. 
Seus olhos falam de alegria, tristeza, falam de cansaço, do quanto estão apaixonados e nenhuma frase é necessária. 
Seus olhos falam mais de você do que qualquer outra pessoa. Refletem, de fato, o que você é e tudo que já percorreu nessa vida. 
Seus olhos contam a sua história e diz o que você espera do futuro. Transmitem medo, insegurança. Liga o ontem, o hoje e o amanhã. 
Seus olhos sorriem, choram e conversam com outros olhos. Eles entendem qualquer olhar quando cruzam o seu.
Seus olhos falam, gritam, sussurram e no entanto, nem voz tem!

Natália de Andrade

08 setembro, 2013

Quem é você?


O tempo passa e vai distanciando cada vez mais certas coisas. Ela sempre teve muito medo de se encontrar perdida nele. De perdê-lo. De se perderem, enfim. Sempre fez de tudo para que se mantivessem próximos. Procurou se manter presente e a cuidá-lo. Nunca soube como faria isso, mas tentava de alguma forma e sua amizade foi a maior prova disso. Suas preocupações e carinhos eram jeitos que encontrava de dizer o quanto ele era importante – nunca ouviu. Antes não tivesse feito nada. Não tivesse se doado tanto. Falava com as paredes, com o vento, talvez fosse mais útil assim.

Conheceu uma pessoa que não sabia se conhecia, então. E ainda hoje se pergunta: “Afinal, quem é você?”. Não sabe. Nunca soube. Ele nunca mostrou quem realmente era, enquanto ela foi completamente transparente. Tem ideia do que isso significa? Se desarmar perante um desconhecido? Deixou-lhe conhecê-la por inteiro para não conhecer nem a sua metade. Foi sincera em cada palavra que saía de sua boca – mesmo que perdidas – para só ouvir mentiras da dele. Confiava muito mais do que desconfiava, sempre deixou claro. Deu-lhe inúmeras chances de ser quem era, no entanto, não foi. Deu-lhe os dados do jogo, mas ele só trapaceou. Nunca entendeu sua linha de raciocínio e estava atenta para entendê-la. Podia jurar de pés juntos que o conhecia e que seu olhar brilhava. Vai ver, ela era o próprio brilho que refletia daqueles olhos vazios. Vai ver, a luz só era dela naquela profunda escuridão.

Natália de Andrade