25 fevereiro, 2015

PRIMEIRO DIA DE AULA



 Ansiedade. Nervosismo. Vergonha. As vezes até choro. Nada como essa mistura de sentimentos a cada ano letivo que inicia. Pude perceber nos últimos dias como os hábitos são comuns a professores e alunos. Digo isso por experiência própria, pois todos nós passamos por essa cena: de não saber o que nos espera no nosso dramático e esperado primeiro dia de aula. E olha que ela se repete inúmeras vezes, embora todas elas sejam diferentes.

 Fui uma mera observadora desta vez. Na última reunião com o diretor pedagógico do colégio onde trabalho, um dia antes de voltar as aulas, pude perceber o quanto professores se tornam alunos por alguns instantes. Sim, depois das férias merecidas é a hora do reencontro com os colegas de trabalho. Aquela confusão de vozes crescia gradativamente junto às risadas e as rodinhas que se formavam naquele espaço. Professores antigos enturmados, logo nota-se quem são os novatos da área: os que beiravam aos cantos. Não é assim que acontece conosco quando entramos num colégio novo ou quando retornamos das férias? 

 No dia seguinte, ainda como mera observadora, estava com a turminha que acompanhei ano passado como auxiliar (terei o prazer de acompanhá-los novamente) e qualquer semelhança, é mera coincidência. Todos quietinhos e atentos ao esperado dia até que se dá início aquela apresentação formal chata de sempre. Eu, particularmente, odiava e continuo odiando, morro de vergonha. Observo o olhar de cada um quando se apresentam e pela voz baixinha, vejo que sentem o mesmo e automaticamente, me vejo ali – como se eu não tivesse me apresentado formalmente para o resto da equipe de professores há um dia, mais uma vez, vergonha. 

 Depois as vozes ecoavam baixinhas pela sala e só pelo modo como sentaram, percebo os novos alunos - não estou dizendo que eu não conheça os rostos dos meus pimpolhos, mas quando estão juntinhos é sinal de que já se conhecem, isso é óbvio - e aqueles com o semblante envergonhado, sem graça, que tem boca, mas não fala, são os que a gente deve transmitir sorrisos o tempo inteiro para familiarizá-los e aconchegá-los. 

 Tudo exatamente igual! Quando entrei na escola pela primeira vez como aluna e para trabalhar. Quando retornava as aulas depois das férias até concluir o meu fundamental. Quando entrei num colégio novo para fazer o meu ensino médio. E a cada período novo que se inicia na faculdade... Nem eu sabia o que esperar e vivia ansiosa também. Vivo e sou! 

 De espectadora aos palcos ou as carteiras ou as lembranças, principalmente daquelas que marcam mais, como cair de pára-quedas num ambiente novo, os amigos de escola, o rostinho de cada professor gravado em nosso pensamento e nossas primeiras impressões de tudo até chegarmos à faculdade e percebermos que nada mudou. Enfim, professores retornando a seus papéis de alunos e estes, por sua vez, sendo alunos mesmo. Certas emoções só sentimos quando chega o tão esperado primeiro dia de aula. E a gente sobrevive, viu?



Natália de Andrade

07 janeiro, 2015

Tudo novo de novo!



Há inúmeras datas durante o ano em que eu me renovo como ser humano: na alegria do carnaval, na comunhão com Cristo durante a Páscoa (ou quando vou a igreja num dia qualquer), em cada dia das mães e dos pais, pois sei que estão sempre me transformando no melhor que eu posso ser, quando o outono se inicia (porque o outono é sim a estação da alma e a minha preferida), no dia da minha padroeira do coração que, cai no dia das comemorações dos seres mais puros desse mundo - até crescerem –, e no dia 10 de novembro, meu aniversário, seguindo a ordem cronológica.
Mas nada se compara a magia do Natal e a ansiedade pelo novo ano que iniciará. Aquele sentimento de querer reunir a família só para ter o prazer de ouvir a confusão de vozes ecoando pela sala, cozinha, no portão de casa... Só pelo prazer de escutar as risadas e compartilhar delas (que saudade disso!). Meu coração engrandece e sinto que Deus conversa comigo. Então, peço para que ampare todas as famílias do universo, inclusive a minha. 
Aquela época que eu tenho vontade de transformar o mundo de uma vez por todas e espalhar somente amor. Aquela ansiedade de mudar, renovar (e inovar), re(inventar)... Aquela chama de esperança dizendo que a mudança está chegando e que já dá para ver da janela, ela vindo bater na porta e estourar no céu. Você pisca e tchum: já são meia noite, veja só! Tudo exatamente igual, menos o brilho do olhar. Ano novo, vida nova. Tudo novo de novo!!!

(Natália de Andrade)

19 maio, 2014

Inquietação de um amor


Depois de muito discordar, finalmente entendi o sentido de uma frase. E mais, constatei que o meu escritor preferido tem razão em suas palavras: "Antes a inquietação de um amor, do que a paz de um coração vazio." Caio Fernando de Abreu está completamente certo disso e eu ainda hesitei.  Sempre me questionei dos motivos que alguém teria para preferir se agarrar a uma ilusão, a uma incerteza, de ter que controlar seu coração quando fica a mil ao deparar-se com a imagem de certo alguém. O amor é lindo, sim. Mas quando ele é amor, de fato. A gente nunca sabe quando se tornou desamor e transformamos em beleza a dor. Até o sofrimento é saboroso nessas horas. Até as lágrimas adocicam nossos lábios. 
Sempre achei absurda essa judiação com os corações tão inocentes, até que nunca mais produzi um texto sequer. Até que me vi vazia. Livre. Solta. Eu poderia voar por não me sentir mais presa. Ouvir teu nome e não precisar engolir seco. Poderia até te encontrar na rua que te cumprimentaria como um conhecido qualquer, porque foi isso que você se tornou, né? Só mais um conhecido...
Então, percebi o quão nossas quedas nos levantam e nos sustentam os pés. O quão importante os desamores são para fortificar as estruturas dos nossos corações. E o quão as batidas dele nos tornam vivos. Que mais vale ter o coração saindo pela boca do que ele parado e sem entusiasmo. Tanta gente lutando para reanimá-lo e eu reclamando dele ficar acelerado.


Natália de Andrade

11 maio, 2014

Bem de longe


 Percebi que consigo ser feliz sem você e não é esforço algum. É natural, sem precisar forçar nada como muita gente faz. Assim como você, que já provou o quanto eu faço bem, bem longe. Mas foram aqueles muitos momentos de "cão e gato" que me mostrou tudo o que eu já quis sentir por alguém. Que somos bons juntos e podemos ser felizes também!

Natália de Andrade

03 maio, 2014

Cardíaca


Sou cardíaca sim, sofro do coração. E a maior prova disso é de que não tenho nenhum controle sobre ele quando começa a saltitar loucamente com a sua presença e sem a minha permissão. Nem me arrisco a dizer quantos batimentos por minutos consigo registrar, perdi as contas ao avistar você, o motivo dessas acelerações desgovernadas que faltam trazer a boca, o coração. Só por pensar em você, ouvir seu nome, achar alguém com a feição parecida com a sua na rua ou apenas te encontrar em meus sonhos, já que existe um muro de Berlim invisível que nos separam. Você. Só você. Como é que pode? Ter esse poder todo que me foge das mãos? Onde é que encontra a razão, se o coração já se perdeu?

 Natália de Andrade

24 setembro, 2013

Nada mais que amor


Mas amar? Não, amar não!
Talvez seja isto mesmo, amar não.
Talvez um adorar fosse suficiente, talvez um gostar fosse bem visto, mas amar não. Amar não deveria ser esperado.
Porque não esperamos pelo amor, ele simplesmente chega, invade e transborda. Ele não é esperado e nem foi feito para isso. Afinal, amor a gente sente e se maravilha com  tamanha maravilha.
Amar não, amar não requer esforço. Porém um gostar requer muito. Um gostar disso, um gostar daquilo, um gostar querendo não gostar...
Amar não, o que fizer vai se tornar mágico!
Amar não, amar não requer paciência. Porém um adorar requer muito mais, requer também atenção. Porque adorar é isso, encantar-se com o que lhe é mostrado.
Mas amar não, amar vai além disso. Busca a perfeição aceitando as tantas imperfeições, mergulha nos mais diversos detalhes, procura respostas, desvenda mistérios e além de tudo, cuida. Amar é cotidiano e não passageiro.
Porque amar é mesmo assim,é esse conjunto inteiro e requer AMOR, nada mais que isso, nada mais que AMOR!


Natália de Andrade

14 setembro, 2013

Alguma lembrança de nós dois?


Mas veja só, depois de tanto tempo, olha só o que restou. Já não te encontro mais. Não sei dos seus novos gostos. Das suas novas manias. Dos seus novos sonhos. Não sei dos seus novos amigos. Dos seus hobbies. Dos seus dias. Agora eu paro e não vejo absolutamente nada. Não sei de nada. Nossas fotos perderam a cor e não estão amareladas como o tempo costuma deixar. Sei lá, é como se elas tivessem perdido a graça, na verdade. Como se o momento ali registrado não fizesse mais sentido. Ou que nunca tivesse existido. Tão estranho! Tão estranho olhar e não querer fazer nenhum esforço para lembrar. Não querer reviver.
De repente, tudo se perdeu. Tudo se apagou. E se chegou a virar pó, o vento fez questão de levar. Guardei-as na última gaveta para não mais olhar. E mesmo que estivessem expostas, não traria mais nenhuma recordação. Afinal, restou alguma lembrança de nós dois? Não tem mais nada novo. E, nada velho também.

Natália de Andrade